Bar da Lola – Friday’s Night

A presente noite de sexta dessa história começou, na verdade, na sexta-feira anterior quando Lola Rodríguez bebeu uma garrafa de vodka praticamente sozinha e como prêmio por este feito passou a noite inteira com uma dor de cabeça infernal e para se punir jurou ficar sem beber por pelo menos 10 dias. É exatamente isso, compañeros, Lola sóbria. O que é extramente engraçado tendo em vista que diferente da maioria arrasadora da população Lola fica mais embriagada sóbria do que bêbada!

 

Primeira Fase – A Preparação

 

Já passa das oito quando os armários começam a serem abertos e as roupas jogadas com descaso sobre a cama, telefonemas vão e vem. Lola Rodríguez está se arrumando e como Lola é a Lola, ela se arruma em meia hora ficando absolutamente fabulosa e conseguindo passar lápis na parte interna do olho sem borrar (só quem é mulher sabe como isso é difícil benhê). Estando pronta desceu para o apartamento de sua compañera para ajudá-la a se arrumar. Do alto de seu salto com suas meias pretas e a minissaia jeans curtíssima observou a outra em um primaveril vestido colorido e passados os elogios básicos sobre a maquiagem a roupa vieram as dicas, o momento do o que que fica bem com quê.

Nossa digníssima compañera passou sombra nos olhos e vioure-se para Lola perguntando – Como está a maquiagem?

Lola, sempre atenta, comenta – Tá ótima! Só esse olho aqui que tá mais fraco! – aponta para o olho direito.

– Lola! – a amiga ri indignada – Eu não maquiei esse olho!

– Ah! Então por isso é que tá mais claroooo! – e a risadas ecoam pelo prédio de apartamentos acordando qualquer um que já estivesse dormindo.

 

Segunda Fase – A Chegada

 

A compañera e seu caballero chegaram aterradoramente cedo ao evento, no momento as únicas criaturas vivas presentes eram os playboys que estacionavam seus carros em um terreno baldio e bebiam vodka cara e escutavam um som mais alto do que o da própria boate. Decidiram então sentar num restaurante ali perto e fazer uma pequena refeição pré-balada se deixando ficar ali pela boa música e pelo papo.

O que nossas compañeras não esperavam era que no período de uma meia hora um fila gigantesca se formasse para entrar! E lá se foram elas encarar a fila, empurrando, sufocando, furando e sofrendo furadas… E que diabos era aquilooooo? Lola indigna-se, aquela fila foi uma verdadeira suruba! Todos encoxaram e foram encoxados! E horas em pé em cima do salto aguardando o segurança liberar a entrada. Esta, entre outras, é uma das situações em que os brasileiros se tornam amigos de infância de uma hora para outra e muitas conversas que ali começaram foram terminar dentro da boate tendo como brinde tudo o que advém de um ambiente escuro com música alta.

Na fila, cada centímetro conquistado em direção a entrada é uma vitória, se aperta entre um e outro, firma na grade para não desequilibrar e finalmente entrar meio esmagada, com as roupas desarrumas e a maquiagem borrada sem ainda nem ter feito nada!

 

Terceira Fase – Na Pista

Lola, como é Lola, mal chega na festa e já sente mãos masculinas percorrendo seu quadril, ela gosta e se move não no ritmo da música, mas no das mãos do rapaz. Vira-se e as perguntas básicas são feitas e respondidas. Essa é a hora do bote, mas quando Lola começar a atacar o rapaz se afasta… Diz que mais tarde talvez. Ela nem liga, a noite é uma criança e há muitos rapazes mais na pista de dança, para que se prender ao primeiro?

A pista está quase tão cheia quanto a fila, em certos pontos é impossível respirar, mas a turba que dança frenética é o que mantém Lola viva, é seu vício, sua droga na ausência do álcool.

Quanto a compañera, ah, esta é obrigada a escutar muitas coisas ao ouvido, perguntas bestas, cantadas idiotas e elogios supérfulos da noite; mas não se deixa envolver, como Lola é também uma fera ferida que aprendeu a caçar em vez de ser caçada. Como um pecador experiente ela sabe que é só balançar a isca um pouquinho que os peixes vêm. Beija um rapaz por enquanto, ainda não achou a presa certa da noite.

Podemos seguir Lola pela boate, ela dança, anda um pouco, senta, toma ar e passa um certo tempo no bar; um observador mais cuidadoso já terá notado que algo a cativou. Há um garoto solitário (ah… estes garotos solitários!) na boate, não dança, não fala e não bebe… Só anda por aí como que perdido. Como uma loba que sabe que não deve assustar o cordeiro Lola sabe que não é a hora de se aproximar, quando a noite avançar mais um pouco e as mentes e corações fraquejarem ela atacrá, enquanto isso volta as presas mais fáceis para se distrair.

Na pista de dança nota um olhar (há peixe na rede!) e sorri permitindo que ele se aproxime… Wow! Lola, a predadora, encontrou um lobo para lhe fazer par. O lobo parece querer devorá-la por completo, suas mãos exploram o corpo feminino sem nenhum pudor, com as unhas rasga e desfia pontos na meia calça fazendo com que arrepios de prazer percorram a espinha desta que vos fala. A fome dele é insaciável, mas Lola é quem controla o jogo, ela sabe quando o seu não só fará o desejor aumentar.

Sendo assim se afasta, não diz palavra e se permite sumir na muvuca da turba dançante. Reencontra o seu rapaz solitário, mas o muro de silêncio que ele construiu em torno de si cala a música da noite, ainda não é a hora. Entre idas, vindas e danças Lola percebe um olhar conhecido… É o rapaz de antes? Sim, ele o é. Não por recordar o nome ou o rosto mas pela forma que as mãos másculas a agarram e dominam fazendo-a se sentir mulheeeer, mas já deu o que tinha de dar e ela não que nada mais e não há mais o que a surpreenda, logo, o dispensa e percebendo que sua compañera já deu, sabe-se lá como, o grande bote da noite vai à área de fumantes ver o que encontra por lá, porém antes que alcance seu objetivo sente mãos conhecidas percorrerem seus quadris, não é ninguém mais que o primeiro da noite… E já se passou algum tempo, talvez agora possa beijar esse loiro de olhos claros… NÃO! Como antes ele só provoca e desta vez explica que está acompanhado, Lola definitivamente vai para a área de fumantes, está cansada de se deparar com comprometidos e lá, finalmente, consegue conversar com o solitário da noite. Ele demonstra que não é solitário à tôa, nunca se é… No silêncio da conversa no que seria a deixa para um beijo ele vai em bora.

Logo outro chega para substituí-lo, nada de realmente importante, beijos ardentes trocados na noite fria, uma pegada razoável, perguntas respondidas e um número trocado, propositalmente errado para que não exista dia seguinte. Então a compañera se aproxima e juntas resolvem ir, o eleito da noite por ela era um V.I.P.! Sortuda, kkkkkk! Ele leva as amigas pela saída especial que serve para furarem a enorme fila para pagar a conta e o amigo dele as leva para casa de hilux e ao nascer do sol ambas entram em seus apartamentos e vão dormir enquanto a cidade trata de acordar.

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